sábado, 21 de abril de 2012

Aniversário

Esses dias voltei a ler o livro da Cora Coralina, "Poemas e Becos de Goiás e Estórias Mais". Modéstia a parte, com um lindo recado da autora, autógrafo e tudo, para este modesto escritor. Ela comemorava seus noventa e três anos de mocidade e vida: lá se vão trinta anos... depois conto mais.
     Hoje é dia da inauguração de Brasília, a Capital que ia mudar o Brasil. Cinquenta e dois anos depois, mudou o Brasil e levou junto Brasília. Sofremos primeiro com o descaso, logo após o golpe militar, depois com o uso estratégico da capital quase como um "bunker" (lembro-me de compará-la, nessa época ao antigo "Distrito Diamantino" hoje Diamantina, uma espécie de enclave dentro do país, sujeito a regras e procedimentos próprios (e por consequência autoritários).
    -   Hoje moramos em uma metrópole, com todos os benefícios e a maior parte dos malefícios destas. Por último, estamos enfrentando uma onda de violência difícil de ser adequadamente combatida pelas autoridades, cada vez mais atônitas. Despreparo total.
     - De qualquer maneira, é um lugar excelente para viver, a qualidade de vida, se não é a mesma ainda muito superior as demais cidades.
     - O grande perigo, esse com o qual a cidade e seus habitantes lutam desde o comício de Jaraguá, é a BESTA.
     Como todo ser monstruoso, a BESTA é, além de feia pra capeta, completamente informe, disforme e multiforme. Cada hora ela assume um aspecto, aparentemente sedutor embora, para que tem olhos de enxergar,  mais e mais abjeto.
     -  Por exemplo, vocês sabiam que logo no princípio, grandes e importantes autoridades, sábios, engenheiros, e no fim a maioria da galera achava que por uma peculiaridade do solo local, o lago jamais encheria! E as plantas? Ah, essas morreriam todas na primeira estação das secas, pois manga, caju, abacate, jaca, goiaba, abiu, abacaxi, melancia, morango, etc etc. não conseguiriam medrar nesse solo pedregoso e árido. Só umas árvores tortas como se feitas pelo canhoto de casca mais grossa que corticeira.
     - Nesse ermo construir uma capital de um país? Louco! Mil vezes louco o autor do desvairamento e aqueles que o acompanharam nessa loucura!
     - Mas se essas tolices ficaram para trás, a BESTA não. Hoje ela aplaude as grandes vias rodoviárias, pensa "grande" em meios de transporte moderníssimos (e portanto caríssimos), permite "pequenas alterações" como os "puxados", as coberturas que alteram o gabarito do plano piloto e o mais terrível, o vale tudo da criminosa especulação imobiliária que tomou conta, primeiro do Setor Sudoeste, depois do Noroeste, e agora transforma Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, em novas "Águas Claras" : formigueiros humanos onde a qualidade de vida, se existir, será totalmente aviltada.
     - A BESTA, não se enganem com  seus cornos de ouro - odeia Brasília com todas as suas (maléficas) forças e tudo fará para transformá-la em mais uma metroneurose.
     - Nós, que amamos simplesmente essa singela e simples cidade, nascida qual um genialmente despretensioso poema, devemos vigiar e cuidar.
     - O presente de aniversário que a cidade quer? É simples! adminstradores probos, que coloquem os interesses municipais antes e acima do carreirismo despudorado pandêmico. E  que  mineiros, goianos, cariocas, catarinenses, paraenses, capixabas, cearenses, pernambucanos e todos os brasileiros dos demais estados caprichem bem mais na hora de votarem: é cada um que vocês mandam para cá...
    

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