terça-feira, 24 de abril de 2012

O CLIPE, O BINA E A BUROCRACIA (ou o Bom, o feio e a maléfica)

     Estava pensando a respeito desses "meninos" que inventam um software para computador ou uma aplicação para uso na internet e instantâneamente ficam multimilionários, além de qualquer imaginação, mal entrados nos vinte anos.
     Mas lembrei que sempre foi assim! Durante toda minha vida ouvi a respeito do cara que estava com um pedaço de arame fino nas mãos, dobrou para cá, para lá e... eis o clip de papel!
     A história acima certamente é uma lenda urbana, mas houve, sim, um sujeito que ficou imensamente (e com muita rapidez) rico, com essa invenção. Chamava-se Joham Valer e era norueguês.
     Quase na mesma época, dois americanos - William Middlebrook e Brosnan Cornelio tiveram idéia semelhante. Houve uma disputa judicial - na Noruega não havia registro de patentes na ocasião, mas não sei como terminou. Como diz o ditado, "eles que são brancos que se entendam", o que deve ter acontecido.
     Já o inventor do Bina, aquele aparelho meio "caixa de sapatos" que no fim dos anos setenta um modesto brasiliense inventou, consistia em um identificador de chamada (havia um painel onde depois de certo tempo de conversa aparecia o nº da pessoa que havia discado para você) - esse não ganhou nada! Aliás, segundo a matéria publicada há algum tempo nos jornais, ganhou a má-vontade e a sabotagem do próprio órgão brasileiro encarregado de registrar as patentes! Será Possível? Pois é claro! Leiam essa outra: Pouca gente sabe, mas o Dr. Carlos Chagas o descobridor do ciclo de transmissão do "Mal de Chagas" através do comuníssimo inseto chamado "barbeiro", deixou de ganhar o Nobel de medicina por oposição ferrenha dos... PRÓPRIOS COLEGAS MÉDICOS BRASILEIROS!
Nada tão afrontoso e imperdoável quanto o sucesso alheio...

sábado, 21 de abril de 2012

Aniversário

Esses dias voltei a ler o livro da Cora Coralina, "Poemas e Becos de Goiás e Estórias Mais". Modéstia a parte, com um lindo recado da autora, autógrafo e tudo, para este modesto escritor. Ela comemorava seus noventa e três anos de mocidade e vida: lá se vão trinta anos... depois conto mais.
     Hoje é dia da inauguração de Brasília, a Capital que ia mudar o Brasil. Cinquenta e dois anos depois, mudou o Brasil e levou junto Brasília. Sofremos primeiro com o descaso, logo após o golpe militar, depois com o uso estratégico da capital quase como um "bunker" (lembro-me de compará-la, nessa época ao antigo "Distrito Diamantino" hoje Diamantina, uma espécie de enclave dentro do país, sujeito a regras e procedimentos próprios (e por consequência autoritários).
    -   Hoje moramos em uma metrópole, com todos os benefícios e a maior parte dos malefícios destas. Por último, estamos enfrentando uma onda de violência difícil de ser adequadamente combatida pelas autoridades, cada vez mais atônitas. Despreparo total.
     - De qualquer maneira, é um lugar excelente para viver, a qualidade de vida, se não é a mesma ainda muito superior as demais cidades.
     - O grande perigo, esse com o qual a cidade e seus habitantes lutam desde o comício de Jaraguá, é a BESTA.
     Como todo ser monstruoso, a BESTA é, além de feia pra capeta, completamente informe, disforme e multiforme. Cada hora ela assume um aspecto, aparentemente sedutor embora, para que tem olhos de enxergar,  mais e mais abjeto.
     -  Por exemplo, vocês sabiam que logo no princípio, grandes e importantes autoridades, sábios, engenheiros, e no fim a maioria da galera achava que por uma peculiaridade do solo local, o lago jamais encheria! E as plantas? Ah, essas morreriam todas na primeira estação das secas, pois manga, caju, abacate, jaca, goiaba, abiu, abacaxi, melancia, morango, etc etc. não conseguiriam medrar nesse solo pedregoso e árido. Só umas árvores tortas como se feitas pelo canhoto de casca mais grossa que corticeira.
     - Nesse ermo construir uma capital de um país? Louco! Mil vezes louco o autor do desvairamento e aqueles que o acompanharam nessa loucura!
     - Mas se essas tolices ficaram para trás, a BESTA não. Hoje ela aplaude as grandes vias rodoviárias, pensa "grande" em meios de transporte moderníssimos (e portanto caríssimos), permite "pequenas alterações" como os "puxados", as coberturas que alteram o gabarito do plano piloto e o mais terrível, o vale tudo da criminosa especulação imobiliária que tomou conta, primeiro do Setor Sudoeste, depois do Noroeste, e agora transforma Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, em novas "Águas Claras" : formigueiros humanos onde a qualidade de vida, se existir, será totalmente aviltada.
     - A BESTA, não se enganem com  seus cornos de ouro - odeia Brasília com todas as suas (maléficas) forças e tudo fará para transformá-la em mais uma metroneurose.
     - Nós, que amamos simplesmente essa singela e simples cidade, nascida qual um genialmente despretensioso poema, devemos vigiar e cuidar.
     - O presente de aniversário que a cidade quer? É simples! adminstradores probos, que coloquem os interesses municipais antes e acima do carreirismo despudorado pandêmico. E  que  mineiros, goianos, cariocas, catarinenses, paraenses, capixabas, cearenses, pernambucanos e todos os brasileiros dos demais estados caprichem bem mais na hora de votarem: é cada um que vocês mandam para cá...